Mãe

Mãe

 

Quem é que me ama

Sem nada querer?

– És tu,  mãezinha!

E sempre hás de ser

És para mim

A flor mais bela

A gota de orvalho

Que brilha ao luar

A voz singela

Que a todos ensina

A arte de amar

Nos teus braços

Me sinto menina

És a luz dos meus olhos

És do lar a rainha

És o raio de sol

Que aquece e ilumina

Quem será?

Quem será?

 

Não sei se você me conhece

Sei que existo

Não tenho cor

Ninguém me vê

Sou como o vento

Não tenho tempo

Não envelheço

E sempre venço

Não tenho idade

Sou na saudade

Na alegria também

Na terra , no céu,

Sei lá…  no além

Só me abato

Onde há rancor

Sou feliz

Como abelha na flor

Sugando o mel

Com muito ardor

Me aninho

No grande,  no pequeno

No humilde, no nobre

Todos se animam

Quando me descobrem

Tudo gira em meu redor!

 

Sabe quem sou?

Sou um sentimento sublime

Que só o coração define

– Eu sou o amor!

Rosas

Rosas

 

A terra dá a vida à raiz

A raiz dá vida ao tronco

O tronco da vida aos galhos

Tudo chegando ao mesmo ponto

Nos galhos brotam as folhas

Em meio às lindas rosas

Brancas, amarelas, vermelhas

Qual será a mais dengosa?

 

Numa rosa pousa a abelha

Noutra a gentil borboleta

Sugam da rosa o mel

Desprezando a violeta

Quem sou eu?

Quem sou eu?

 

Como posso

Ser eu

Se não me conheço

 

Tudo que faço

Não ofereço

 

Se recebo

Não agradeço

 

Nesse caso

Desço… desço…

 

Vivo pensando,

Mas até quando?!

 

Preciso parar

e… acordar

 

Descobrir que sou isto

Pra sentir que existo

 

O mundo que é seu

Também é  meu

 

Assim saberei

Sentirei

Quem sou eu.

Beija-flor II

Beija-flor II

 

No meio do mato

Junto aos pássaros

Que alegria

E o beija-flor

Com muito amor

Alegra o dia

De galho em galho

É o seu trabalho

Buscar alimento

De flor em flor

Sem escolha de cor

É o seu sustento

E quando anoitece

O crepúsculo fenece

O vaga-lume aparece

O orvalho cai

A luz se vai

O beija-flor adormece

Sofrer à toa

Sofrer à toa

 

Passo a passo

Controlando o cansaço

Sinto-me enfraquecer

Mas ao meu redor

Nem tudo é dor

Quero viver

Controlando o passo

Sinto o mormaço

Torno a enfraquecer

Vem a lembrança

Traz a esperança

E o sobreviver

Passam os anos

Vem os desenganos

E me fazem sofrer

 

Mas se a vida é boa

O sofrer é  à toa

Pra quem sabe viver

Amanheceu

Amanheceu

 

A noite chegava

Toda estrelada

Era o fim do dia!

 

As gotas de orvalho

Caindo do galho

Na noite fria!

 

Tudo era mudo

Da coruja o soluço

Era só o que se ouvia

 

O silêncio da noite

Como um açoite

Era só melancolia

 

O vento soprava

Assobiava… assobiava

E eu sofria

 

Tudo passou

A noite findou

Um raiozinho aparecia

 

O sol veio em algazarra

E o canto da cigarra

Alegrou o meu dia