Trovas VI

Trovas VI

 

Os grilos cantam

Os sapos coaxam

Numa música só

A coruja pia

E o gato mia

De fazer dó

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sem criança

não haveria

nem esperança

nem poesia

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Oito anos

Que simplicidade

Que flor perfeita

Que bela idade

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Abelha de flor em flor

Formiga de galho em galho

Atentas, muito contentes

Realizam os seus trabalhos

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Sonho puro

Suave doçura

Nuvens brancas

Lírio de candura

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Coração teimoso

Coração teimoso

 

Sou coração teimoso

Saí a procura do amor

 

Entrei na floresta

Ouvi os cantos dos pássaros

Era uma festa!

Havia amor à beça

– Jamais como o meu

 

De flor em flor

Que suave perfume

Que cor!

Havia amor à beça

– Jamais como o meu

 

Busquei no oceano

O canto das ondas azuis

Parecia um piano

Havia amor à beça

– Jamais como o meu

 

Olhei nos olhos teus

Da cor do céu

Havia amor à beça

– Dei-te o amor meu

 

Sou coração teimoso

Saí a procura do teu amor…

A saudades dói

A saudades dói

 

Noite serena

O belo luar

Ilumina o orvalho

Na folha a brilhar

 

Amanhece o dia

O pássaro a cantar

Melodia suave

Nos faz meditar

 

Na pessoa amada

Nas coisas belas

Nos dias felizes

Nas noites de estrelas

 

No amor, na vida

Numa grande amizade

De repente sem avisar

Chega doída a saudades

Que seria?

Que seria?

 

Que seria da paz dos caminhos

Ao raiar da aurora suave

Se não fosse a tarefa dos ninhos

Se não fosse o concerto das aves

 

Que seria do sol ardente

Onde a brisa se torna mormaço

Se não fosse a sombra das árvores

E o frescor da neblina no espaço

 

Que seria deste pobre mundo

Se não existisse a luz do amor

Seria loucura. Um abismo profundo

Terra da vingança. Ninho do rancor