Natureza

Natureza

 

Caminhando pelos campos

Pisando as folhas

O sol ardente

Faz bolhas

Nos pés da gente

 

Lindas flores!

Azuis borboletas.

A brisa que passa

Meu corpo abraça

Espalhando o perfume

Dos verdes campos

 

Pétalas rolando

Rio abaixo

E sob as pedras

Rouco coaxar do sapo

 

Vem a noite

Tudo se esfria

 

Ao raiar do dia

O sol aparece

Tudo se aquece

Tudo é poesia

João-Ninguém

João-Ninguém

 

O coitado do João

Caído no chão

Duro de frio

Todos que passam

Somente olham

Sem ter um arrepio

Quando se levanta

Com o pedaço de manta

Vai rastejando

Pra chegar onde

E o pobre coitado

Todo rasgado

Vai andando

 

Será que alguém

Desse João-Ninguém

Foi vizinho?

E o pobre vai

Seguindo o caminho

Sempre sozinho

Sem pão sem carinho

Porque é João-Ninguém

 

João de onde veio

Talvez do nosso meio

Sem quem tem o orientasse

Todo sujo, nojento

Passando o tempo

Vai envelhecendo

Aos poucos morrendo

 

Que importa a sua vida,

Para o mundo, que é bicho

Que se joga no lixo?

Por que socorrer?

Ele tem que morrer!

Todos dele fogem

Pois que morra hoje

 

Assim termina João

Deitado no chão.