Tempo e vento

Tempo e vento

 

Um dia o tempo

Uniu-se ao vento

Ninguém os via

… mas sentia

buscam o norte

o tempo passava

e o homem deixava

mais perto da morte

o vento soprava

ora fraco, ora forte

e nos deixava

mais perto da morte

passou o tempo

e também o vento

e a morte chegou

 

o tempo permanece

e o vento não fenece

e eu vou

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A folha esquecida

A folha esquecida

 

Sobre as pedras, a folha caída

Seca pelo tempo e pelo sol

Pede ao vento guarita

Buscando o colorido arrebol

 

O sol a queima sem dó

O tempo tira sua cores

Doe-lhe tanto, tanto estar só

Num mundo cheio de flores

Aonde encontrar as sombras

Que amenizam seu calor?

Onde está a brisa

Que cura esta grande dor?

 

Chora a folha o seu fim:

– Por favor, me diga,

– Não tenha pena de mim.

– Morrendo serei mais viva

 

– Se morta, secarei

– Me tornarei pó

– Unida a outras tantas

– Não estarei só

 

– O vento me levará

– Por este mundo sem fim

– Tudo será esquecido

– Deus cuidará de mim.

João-Ninguém

João-Ninguém

 

O coitado do João

Caído no chão

Duro de frio

Todos que passam

Somente olham

Sem ter um arrepio

Quando se levanta

Com o pedaço de manta

Vai rastejando

Pra chegar onde

E o pobre coitado

Todo rasgado

Vai andando

 

Será que alguém

Desse João-Ninguém

Foi vizinho?

E o pobre vai

Seguindo o caminho

Sempre sozinho

Sem pão sem carinho

Porque é João-Ninguém

 

João de onde veio

Talvez do nosso meio

Sem quem tem o orientasse

Todo sujo, nojento

Passando o tempo

Vai envelhecendo

Aos poucos morrendo

 

Que importa a sua vida,

Para o mundo, que é bicho

Que se joga no lixo?

Por que socorrer?

Ele tem que morrer!

Todos dele fogem

Pois que morra hoje

 

Assim termina João

Deitado no chão.

Vou morrer

Vou morrer

 

Sorri quando te vi

Sonhei quando te amei

Amei com tanta intensidade

Que a minha ansiedade

Era eternamente te ter

Eras minha vida

Eras todo o meu ser

Mas um dia

Com toda a calma

Como um suspiro da alma

Disseste:

– Vou te esquecer

 

Hoje,

Eu triste e magoado

O coração apertado

Não consigo entender

O que fiz?  O porquê….

E, sem você

Vou morrer

Força

Força

 

Uma florzinha

Tão pequenina!

 

Sozinha nasceu

Era um charco

Cheio de buraco

A florzinha morreu

 

Outras nasceram

Unidas cresceram

 

No mesmo lugar

Resistindo ao tempo

Juntas ao vento

Conseguiram ficar

 

Ali floresceram

Perfumaram o lugar

 

Assim aprendemos

Que devemos lutar

Juntos com coragem

Como fim de viagem

Conseguiremos chegar!

O caracol

O caracol

 

Os pássaros todos felizes

Por verem um novo dia

Voando de galho em galho

Cantavam suave melodia

 

Nas montanhas as pedras brilhavam

Sob os raio do sol que sorria

As formigas trabalhavam

Nas folhas da melancia

 

Mas quem não gostou foi o caracol

Debaixo da pedra, apavorado:

– Tenho que sair depressa daqui

– Ou vou acabar morrendo torrado

 

A minhoca sugeriu:

– Venha pra debaixo do chão

– Aqui a temperatura é amena

– Não há predador, nem vilão

 

Apesar da boa vontade da minhoca

A cova era por demais pequena

Não cabia a casa do caracol

Muito menos a sua antena

O rio e eu

O rio e eu

 

Na sombra de uma árvore

Pus-me a pensar

O rio corre

Nunca morre

E chega ao mar

O mar desaparece

E o rio se esquece

Que era um rio

Vai se misturando

No fundo penetrando

Por fim… sumiu

Será que se lembra

Das verde matas

Lindas cascatas

Das pedras a cair?

Que a água cantava

Que a pedra rolava?

O rio foi ao fundo

Deixou o seu mundo

No mar morreu

 

Hoje, meu amor foi embora

– Diz que me esqueceu –

Definho de hora em hora

Rio, você é como eu