Nem branca, nem preta

Nem branca, nem preta

 

Sempre pequena

Mas altiva

Neste instante

E enquanto estou viva

 

Entre todas as flores

Sou a mais comedida

Por ser pequena

Estou escondida

 

Flor especial

Desperta ciúme

Ninguém resiste

Ao meu perfume

 

Você desconfia

Porque sou sozinha

Já sabe quem sou?

Veja se adivinha

 

Não sou

Nem branca, nem preta

Adivinhou?

Sou a Violeta!

Resto de pó

Resto de pó

 

Batem as horas

Os minutos passam

Correm os segundos

Ninguém percebe

O tempo se vai

Neste globo terrestre

 

Tudo se foi

Alegria e dores

Perfume e flores

Estamos sós

 

Será que quando jovem

Julgaria ser

A vida assim?

 

Tudo passou

Estou só

Tudo terminou

Num resto de pó

Coração teimoso

Coração teimoso

 

Sou coração teimoso

Saí a procura do amor

 

Entrei na floresta

Ouvi os cantos dos pássaros

Era uma festa!

Havia amor à beça

– Jamais como o meu

 

De flor em flor

Que suave perfume

Que cor!

Havia amor à beça

– Jamais como o meu

 

Busquei no oceano

O canto das ondas azuis

Parecia um piano

Havia amor à beça

– Jamais como o meu

 

Olhei nos olhos teus

Da cor do céu

Havia amor à beça

– Dei-te o amor meu

 

Sou coração teimoso

Saí a procura do teu amor…

Para Danilo II

Para Danilo II

 

Vidinha crespa

Flor do jardim

Filho do cravo e da rosa

Perfume do jasmim

 

Se eu pudesse

Ser como o pensamento

Estaria a seu lado

Neste momento

 

Emoção senti

No meu cantinho

Olhando para o céu

Vi a estrelinha

Falando com Deus

Cuidando de ti

Natureza

Natureza

 

Caminhando pelos campos

Pisando as folhas

O sol ardente

Faz bolhas

Nos pés da gente

 

Lindas flores!

Azuis borboletas.

A brisa que passa

Meu corpo abraça

Espalhando o perfume

Dos verdes campos

 

Pétalas rolando

Rio abaixo

E sob as pedras

Rouco coaxar do sapo

 

Vem a noite

Tudo se esfria

 

Ao raiar do dia

O sol aparece

Tudo se aquece

Tudo é poesia

Meu amor

Meu amor

 

Sorrindo, cantando

A vida levando

E sempre lembrando

Que assim deve ser

Pois quem dá alegria

Espalha harmonia

E ensina a viver

 

Na noite tão bela

admirando a estrela

No céu a brilhar

Vejo o vaga-lume

Sentindo o perfume

Das flores ao luar

 

Quem dera agora

Ver sem demora

O meu amor

Daria:

A luz do vaga-lume

Da flor o perfume

Do sorriso o ardor.

Estranhamente

Estranhamente

 

Havia um caminho

Num campo aberto

Todo coberto

de tons coloridos

Cor… cor..

 

Estranhamente me sentia

Inebriado de triste-alegria

Ao contemplar as nuvens

Pareciam penugens

Cores… cores…

Estranhamente para mim

Parecia um jardim

Jardim perfumado

E, ao meu lado

Flores… flores…

Estranhamente cantava o pássaro

Aliviando meu cansaço

Mas tua lembrança me maltratava

Meu coração magoado chorava

Dor… dor…

 

Como todo sonhador

Escondi no peito essa dor

Cantei chorosa melodia

Encontrei novamente a harmonia

Amor… amor…