Natureza

Natureza

 

Caminhando pelos campos

Pisando as folhas

O sol ardente

Faz bolhas

Nos pés da gente

 

Lindas flores!

Azuis borboletas.

A brisa que passa

Meu corpo abraça

Espalhando o perfume

Dos verdes campos

 

Pétalas rolando

Rio abaixo

E sob as pedras

Rouco coaxar do sapo

 

Vem a noite

Tudo se esfria

 

Ao raiar do dia

O sol aparece

Tudo se aquece

Tudo é poesia

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Que seria?

Que seria?

 

Que seria da paz dos caminhos

Ao raiar da aurora suave

Se não fosse a tarefa dos ninhos

Se não fosse o concerto das aves

 

Que seria do sol ardente

Onde a brisa se torna mormaço

Se não fosse a sombra das árvores

E o frescor da neblina no espaço

 

Que seria deste pobre mundo

Se não existisse a luz do amor

Seria loucura. Um abismo profundo

Terra da vingança. Ninho do rancor

Crepúsculo

Crepúsculo

 

Oh! Sol radiante

Teus raios brilhantes

A nos iluminar

Tu nos dá calor

Fortalece a flor

E acaricia o mar

Tudo vem de ti

Até o canto do bem-te-vi

Que enternece a terra

E, ao nascer da noite

Tu adormeces

Colorido

Por trás da serra

 

Oh! Sol querido

Sou agradecido

Por tanta graça

No cosmo, neste planeta

A vida completas

Enquanto o tempo passa

A folha esquecida

A folha esquecida

 

Sobre as pedras, a folha caída

Seca pelo tempo e pelo sol

Pede ao vento guarita

Buscando o colorido arrebol

 

O sol a queima sem dó

O tempo tira sua cores

Doe-lhe tanto, tanto estar só

Num mundo cheio de flores

Aonde encontrar as sombras

Que amenizam seu calor?

Onde está a brisa

Que cura esta grande dor?

 

Chora a folha o seu fim:

– Por favor, me diga,

– Não tenha pena de mim.

– Morrendo serei mais viva

 

– Se morta, secarei

– Me tornarei pó

– Unida a outras tantas

– Não estarei só

 

– O vento me levará

– Por este mundo sem fim

– Tudo será esquecido

– Deus cuidará de mim.

Mãe

Mãe

 

Quem é que me ama

Sem nada querer?

– És tu,  mãezinha!

E sempre hás de ser

És para mim

A flor mais bela

A gota de orvalho

Que brilha ao luar

A voz singela

Que a todos ensina

A arte de amar

Nos teus braços

Me sinto menina

És a luz dos meus olhos

És do lar a rainha

És o raio de sol

Que aquece e ilumina

Amanheceu

Amanheceu

 

A noite chegava

Toda estrelada

Era o fim do dia!

 

As gotas de orvalho

Caindo do galho

Na noite fria!

 

Tudo era mudo

Da coruja o soluço

Era só o que se ouvia

 

O silêncio da noite

Como um açoite

Era só melancolia

 

O vento soprava

Assobiava… assobiava

E eu sofria

 

Tudo passou

A noite findou

Um raiozinho aparecia

 

O sol veio em algazarra

E o canto da cigarra

Alegrou o meu dia

Sou cego

Sou cego

 

Será cedo ou tarde

Já clareou? Ainda está escuro

Não vejo… Por quê?

Porque estou cego.

Cegueira de olho aberto

Estou certo

Que não vejo ninguém

Só vejo a mim

Esse eu egoísta

– o eu artista –

Orgulhoso, individualista

Abre-te alma!

E, com calma

Veja ao teu lado

A luz que ilumina

A verde campina

E o sol para todos a brilhar