Natureza

Natureza

 

Caminhando pelos campos

Pisando as folhas

O sol ardente

Faz bolhas

Nos pés da gente

 

Lindas flores!

Azuis borboletas.

A brisa que passa

Meu corpo abraça

Espalhando o perfume

Dos verdes campos

 

Pétalas rolando

Rio abaixo

E sob as pedras

Rouco coaxar do sapo

 

Vem a noite

Tudo se esfria

 

Ao raiar do dia

O sol aparece

Tudo se aquece

Tudo é poesia

Anúncios

Me perco no espaço

Me perco no espaço

 

Você, eu

No jardim

Rosas e cravos

Violetas, jasmim

Umas brancas

Outras vermelhas

De flor em flor

Tantas abelhas

Na rama verde

Os gorjeio dos pássaros

Com tanta paz

Me perco no espaço.

Sou cego

Sou cego

 

Será cedo ou tarde

Já clareou? Ainda está escuro

Não vejo… Por quê?

Porque estou cego.

Cegueira de olho aberto

Estou certo

Que não vejo ninguém

Só vejo a mim

Esse eu egoísta

– o eu artista –

Orgulhoso, individualista

Abre-te alma!

E, com calma

Veja ao teu lado

A luz que ilumina

A verde campina

E o sol para todos a brilhar

O rio e eu

O rio e eu

 

Na sombra de uma árvore

Pus-me a pensar

O rio corre

Nunca morre

E chega ao mar

O mar desaparece

E o rio se esquece

Que era um rio

Vai se misturando

No fundo penetrando

Por fim… sumiu

Será que se lembra

Das verde matas

Lindas cascatas

Das pedras a cair?

Que a água cantava

Que a pedra rolava?

O rio foi ao fundo

Deixou o seu mundo

No mar morreu

 

Hoje, meu amor foi embora

– Diz que me esqueceu –

Definho de hora em hora

Rio, você é como eu

Ah! Que saudade que eu tenho

Ah! Que saudade que eu tenho

 

Ah! Que saudade que eu tenho

Da terra  onde morei

– Se eu pudesse voltaria lá –

Saudade do que no passado está

 

Saudades dos raios de sol nos galhos

Da terra vermelha no chão

Da brisa balançando as folhas

Do cheiro da plantação

 

Do canto do galo que acorda

Do leite espumoso tirado na hora

Da escola que tão pouco freqüentei

Das modinhas diferentes de agora

 

Do trole, do trem lá ao longe

Do verde do canavial

Do caule frondoso da mangueira

Das leiras do mandiocal

 

Da polenta, da puína, da garapa

Da lingüiça , morcela, do  pão,

Do café com leite e queijo

Derretido na lenha do fogão

 

Dos cantos de roda, dos licores

Do truco, da quermesse, do bordado

Da missa, do terço, da procissão

Do chapéu intrometido do namorado

 

Da sanfona que gemia ao longe

Dos namoricos no caminho da capela

Dos pés descalços, das tranças, das fitas

Ah! Que saudades da minha janela!

 

Ah! Que saudade que eu tenho

Da terra  onde morei

– Se eu pudesse voltaria lá –

Saudade do que no passado está