Nem branca, nem preta

Nem branca, nem preta

 

Sempre pequena

Mas altiva

Neste instante

E enquanto estou viva

 

Entre todas as flores

Sou a mais comedida

Por ser pequena

Estou escondida

 

Flor especial

Desperta ciúme

Ninguém resiste

Ao meu perfume

 

Você desconfia

Porque sou sozinha

Já sabe quem sou?

Veja se adivinha

 

Não sou

Nem branca, nem preta

Adivinhou?

Sou a Violeta!

Trovas VI

Trovas VI

 

Os grilos cantam

Os sapos coaxam

Numa música só

A coruja pia

E o gato mia

De fazer dó

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sem criança

não haveria

nem esperança

nem poesia

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Oito anos

Que simplicidade

Que flor perfeita

Que bela idade

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Abelha de flor em flor

Formiga de galho em galho

Atentas, muito contentes

Realizam os seus trabalhos

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Sonho puro

Suave doçura

Nuvens brancas

Lírio de candura

Coração teimoso

Coração teimoso

 

Sou coração teimoso

Saí a procura do amor

 

Entrei na floresta

Ouvi os cantos dos pássaros

Era uma festa!

Havia amor à beça

– Jamais como o meu

 

De flor em flor

Que suave perfume

Que cor!

Havia amor à beça

– Jamais como o meu

 

Busquei no oceano

O canto das ondas azuis

Parecia um piano

Havia amor à beça

– Jamais como o meu

 

Olhei nos olhos teus

Da cor do céu

Havia amor à beça

– Dei-te o amor meu

 

Sou coração teimoso

Saí a procura do teu amor…

Crepúsculo

Crepúsculo

 

Oh! Sol radiante

Teus raios brilhantes

A nos iluminar

Tu nos dá calor

Fortalece a flor

E acaricia o mar

Tudo vem de ti

Até o canto do bem-te-vi

Que enternece a terra

E, ao nascer da noite

Tu adormeces

Colorido

Por trás da serra

 

Oh! Sol querido

Sou agradecido

Por tanta graça

No cosmo, neste planeta

A vida completas

Enquanto o tempo passa

Estranhamente

Estranhamente

 

Havia um caminho

Num campo aberto

Todo coberto

de tons coloridos

Cor… cor..

 

Estranhamente me sentia

Inebriado de triste-alegria

Ao contemplar as nuvens

Pareciam penugens

Cores… cores…

Estranhamente para mim

Parecia um jardim

Jardim perfumado

E, ao meu lado

Flores… flores…

Estranhamente cantava o pássaro

Aliviando meu cansaço

Mas tua lembrança me maltratava

Meu coração magoado chorava

Dor… dor…

 

Como todo sonhador

Escondi no peito essa dor

Cantei chorosa melodia

Encontrei novamente a harmonia

Amor… amor…

A folha esquecida

A folha esquecida

 

Sobre as pedras, a folha caída

Seca pelo tempo e pelo sol

Pede ao vento guarita

Buscando o colorido arrebol

 

O sol a queima sem dó

O tempo tira sua cores

Doe-lhe tanto, tanto estar só

Num mundo cheio de flores

Aonde encontrar as sombras

Que amenizam seu calor?

Onde está a brisa

Que cura esta grande dor?

 

Chora a folha o seu fim:

– Por favor, me diga,

– Não tenha pena de mim.

– Morrendo serei mais viva

 

– Se morta, secarei

– Me tornarei pó

– Unida a outras tantas

– Não estarei só

 

– O vento me levará

– Por este mundo sem fim

– Tudo será esquecido

– Deus cuidará de mim.

Quem será?

Quem será?

 

Não sei se você me conhece

Sei que existo

Não tenho cor

Ninguém me vê

Sou como o vento

Não tenho tempo

Não envelheço

E sempre venço

Não tenho idade

Sou na saudade

Na alegria também

Na terra , no céu,

Sei lá…  no além

Só me abato

Onde há rancor

Sou feliz

Como abelha na flor

Sugando o mel

Com muito ardor

Me aninho

No grande,  no pequeno

No humilde, no nobre

Todos se animam

Quando me descobrem

Tudo gira em meu redor!

 

Sabe quem sou?

Sou um sentimento sublime

Que só o coração define

– Eu sou o amor!